Visitas a unidades de saúde do DF apontam problemas graves no atendimento à população

Por OS Brasília16 de janeiro de 20151 comentario

Com a situação caótica na saúde pública do Distrito Federal, amplamente divulgada pelos meios de comunicação neste fim de ano, o Observatório Social de Brasília resolveu verificar a qualidade do atendimento nas unidades de saúde de emergência e pronto atendimento, conforme percepção da própria população.

O OS Brasília visitou cinco unidades de pronto atendimento (UPAs) e a emergência do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) entre as 23h da sexta-feira, dia 28 de novembro, e as 2h da madrugada de sábado, dia 29, com o intuito de alertar o governo a respeito de possíveis problemas e exigir soluções que garantam a qualidade dos serviços.

O relatório do OS Brasília foi entregue no dia 17 de dezembro ao Ministério Público de Contas do DF (MPCDF). O documento foi recebido pelo procurador-geral, Demóstenes Albuquerque, e pela procuradora Cláudia Fernanda de Oliveira Pereira. O MPCDF, que já havia entrado com representação requerendo auditoria completa no sistema de saúde do DF, pediu o relatório para reforçar a solicitação.

O relatório agora será encaminhado à Secretaria de Saúde, aos representantes do novo governo eleito e ao Ministério Público (MPDFT). O tratamento dado aos problemas detectados e as eventuais providências serão acompanhadas pelo Observatório.

Entre os principais problemas detectados estão:

Atendimento médico. O atendimento médico foi considerado ruim por muitos pacientes. A nota média foi de 2,52 numa escala de 0 a 5. Os pacientes reclamaram principalmente no atendimento apressado pelo médico e na falta de informações. Houve casos mais graves. No HRAN, um médico chegou a sugerir a uma mãe que levasse a filho embora, se não quisesse aguardar a medicação, que demorava. Na UPA de Samambaia, não havia médicos no local, fato apontado tanto por pacientes como por voluntários do OS Brasília.

Tempo de atendimento. O tempo médio de atendimento ficou em 2 horas e 42 minutos – a maior parte correspondente à espera. No entanto, muitos pacientes sequer chegam a ser atendidos, pois desistem de aguardar. Na UPA do Núcleo Bandeirante, uma paciente relatou ter ficado quase 9 horas na unidade, entre a chegada e a liberação. Ela contou, ainda, que algumas pessoas teriam esperado até 18 horas.

Falta de transparência. As UPAs de Ceilândia e de São Sebastião, bem como o HRAN, não apresentavam a escala dos profissionais médicos de plantão em local ao alcance da população, conforme manda a legislação distrital e federal. No HRAN, depois de solicitação formal, a escala foi divulgada, mas com informações incompletas e contraditórias.

OSBRASILIA_UPAS-Relatório-2014

[Publicado originalmente em 17/12/2014]